Emily in Paris: verdades e exageros da série

by Suellen Kyl

A série da Netflix Emily in Paris trouxe à tona diversas críticas aos parisienses e ao modo de vida francês. De uma forma divertida e descontraída, a personagem principal mostra vários esteriótipos franceses conhecidos no mundo todo. Como todo programa de TV, nem sempre as abordagens feitas refletem realmente o que se passa na realidade e com Emily in Paris não é diferente. Você consegue identificar o que é verdade e o que é exagero na série?

Foto: NetFlix

A experiência de Emily in Paris com a antipatia parisiense

A fama que os parisienses têm de serem antipáticos e fechados é bem explorada na série que tenta trazer de forma engraçada as situações vividas por Emily. A antipatia parisiense apresentada na série não é totalmente inventada, mas ela foi bem aumentada para conseguir fazer bastante polêmica e incitar as discussões. É baseado na antipatia parisiense que o humor tenta tornar fatos que poderiam ser tristes e até desumanos em momentos descontraídos.

Além de que Emily não fala francês, então muitas vezes ela nem conseguia perceber a maldade por trás do comportamento dos parisienses. Existem sim parisienses bem chatos e grosseiros, mas isso existe em qualquer lugar do mundo, não é mesmo?

Franceses tem almoços demorados

A hora do almoço segundo as leis trabalhistas na França deve ser de no mínimo 1h. Isso significa que o trabalhador tem o direito de ter pelo menos 1h de pausa para almoçar ou fazer o que bem entender antes de retomar às atividades. Mas a realidade é que nem todo mundo tem esse privilégio e muitos acabam fazendo pausas mais curtas para adiantarem o trabalho ou para resolver algum problema pessoal como ir à uma consulta médica por exemplo.

Os franceses reservam os almoços demorados para alguma ocasião especial, como a despedida de um colega, a comemoração de um aniversário ou nascimento de um bebê ou almoços de negócios. A pausa pode ser de no máximo 2h. Os almoços realmente demorados ficam para os finais de semana com os amigos ou com a família.


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Parisienses e o cocô do cachorro na calçada

Essa infelizmente é uma realidade da vida em Paris. Apesar de ser passível de multa e de ter vários pontos com saquinhos gratuitos para que os donos coletem os cocôs dos seus cachorros das calçadas, isso não acontece com frequência. Existem mesmo vários pontos com areia dedicados para que os cães façam as suas necessidades. É preciso prestar atenção ao andar nas calçadas em Paris, principalmente nas bordas, perto de lixeiras e árvores. Mas é comum encontrar também bem no meio da calçada.

Prédios sem elevador

Os prédios do centro de Paris são geralmente bem antigos e muitos deles não possuem elevador. É possível encontrar apartamentos lindos, totalmente reformados no quinto ou sexto andar do prédio e sem elevador. E não pense que a dificuldade acaba aí: as escadas são geralmente bem estreitas, o que dificulta e às vezes até impossibilita a passagem de certos móveis.

Para facilitar as mudanças, existem caminhões com plataformas para elevar as mudanças com os móveis maiores e mais pesados até a janela. Isso facilita e muito, porém o preço não é para todos os bolsos.

Já outros prédios até tem elevador, mas eles são minúsculos e feitos para no máximo 2 pessoas. Entrar com carrinho de bebê? Nem em sonho.

Emily in Paris

O cliente não tem razão

Em outro post sobre os defeitos mais irritantes dos franceses, eu comentei sobre a minha experiência com um proprietário de uma padaria que simplesmente fez pouco caso dos sonhos mofados que foram vendidos no seu estabelecimento. O desdém dos proprietários de estabelecimentos comerciais em Paris é bem conhecido, até mesmo dos próprios parisienses. É claro que não é uma regra geral, mas existe sim e acontece bastante.

Esse comportamento tem mudado cada vez mais com a popularidade dos aplicativos em que os usuários dão notas e fazem comentários sobre os estabelecimentos. Ter muitos comentários negativos pode ser um problema já que a concorrência é cada vez maior.


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Franceses não gostam de falar inglês

Os franceses entendem bem inglês mas não tem um nível de conversação bom. Eu classifico este como um dos principais fatores pelos quais eles não gostam de falar inglês. Quanto mais jovem, mais abertos os franceses são para falar inglês. Antigamente existia uma espécie de conservadorismo que fazia com que os franceses tivessem muita resistência em aceitar que outras línguas fossem faladas.

Ninguém é demitido na França

As leis trabalhistas na França protegem tanto as empresas quanto os colaboradores, o que dificulta a demissão. Mas isso não significa que uma pessoa não possa ser demitida. O que não pode acontecer é uma pessoa ser demitida da noite para o dia sem um motivo válido.

Na França, as leis trabalhistas são bem parecidas com o Brasil. Tem seguro-desemprego, aviso prévio e demissão por justa causa ou por vontade própria. O que pode acontecer é a pessoa forçar a ser demitida quando a empresa não quer demitir e certas pessoas não são competentes mas que tem tanto tempo de empresa que fica inviável demitir por conta de todos os encargos que a empresa deveria pagar. Sempre tem um jeitinho francês.

Dá pra ouvir tudo nos apartamentos em Paris

A isolação acústica dos apartamentos parisienses não é das melhores. Mesmo com várias reformas e tentativas de isolação, os pisos antigos de madeira e as finas paredes quase de papel deixam todos os ruídos bem evidentes. Às vezes é possível ouvir o vizinho abrir a porta do seu quarto, fazer xixi no banheiro, andar e até mesmo fazer sexo. E claro, isso não é nada agradável.


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O falso chambre de bonne de Emily in Paris

Na série Emily in Paris a protagonista fica um tanto surpreendida pelo tamanho do seu apartamento em Paris. Apesar de ser mencionado como chambre de bonne, o apartamento de Emily é na verdade bem grande e confortável. Os verdadeiros chambres de bonne tem em torno de 9m2 com o essencial para comer, dormir e tomar banho. Ter uma cama grande como a dela? Nem em sonho. A maior parte dos chambres de bonne tem a privada compartilhada entre os moradores e aqueles que tem a sorte de ter uma privada no interior do quarto, às vezes tem que lidar com a localização um tanto inusitada: ao lado da pia da cozinha.

Emily in Paris

Os franceses começam a trabalhar tarde

Essa é uma verdade que eu também estranhei um pouco logo que comecei a trabalhar na França. Nas empresas onde trabalhei, era comum as pessoas chegarem entre 9h e 9h30. Algumas até chegavam às 10h. Na França as pessoas são pagas com um salário (em grande parte) e esse salário inclui uma lista de tarefas e objetivos que devem ser realizados ao longo do período. Esses objetivos motivam as pessoas a trabalharem, mas elas são livres para distribuir a carga de trabalho durante o dia.

Os franceses tem o hábito de começarem o dia de trabalho mais tarde, mas também de terminarem mais tarde. Um dos motivos é que boa parte deles deixa as crianças na escola, que começa entre 8h30 e 9h e só depois partem para o trabalho. Sendo assim, podemos dizer que o que é mostrado na série é um pouco verdade, só que com um toque de exagero.

Ridicularizar colegas de trabalho com apelidos

O ambiente de trabalho na França não tem esse tipo de hostilidade que é mostrado na série. Aliás, tratar uma pessoa no ambiente de trabalho como Emily in Paris é tratada, pode levar a processo judicial e tanto a empresa quanto os envolvidos podem ser punidos.

As fofocas e conversas de corredor acontecem nas empresas na França. Mas elas não são encancaradas para todo mundo ver. Elas acontecem em pequenos grupos e geralmente fora do ambiente de trabalho quando colegas próximos se encontram para almoçar ou durante um happy hour.


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Franceses não usam muito redes sociais

Isso é verdade e toda vez que vou ao Brasil, fico surpresa em ver como as pessoas são adeptas às redes sociais. No Brasil, WhatsApp é muito mais do que um meio de comunicação, mas um instrumento de vendas. Aqui na França já é difícil conhecer um francês que usa WhatsApp para se comunicar com os amigos no dia-a-dia.

O programa de au pair na França

O intercâmbio de au pair na França é bastante comum, assim como é retratado na série Emily in Paris. As au pairs trabalham principalmente às quartas quando as crianças não tem aula e buscam as crianças quando saem da escola entre 16h e 16h30. Saiba mais sobre o cotidiano das escolas na França.

Emily in Paris

Corrigir a pronúncia dos estrangeiros

Não vou dizer que isso não existe porque eu mesma já passei por isso. Tem pessoas que não dão a mínima que o francês não é sua língua nativa e vão corrigir a sua pronúncia sem dó nem piedade. Já outros vão perguntar se você quer ser corrigido, se você se importa. E também tem aqueles que acham o seu sotaque a coisa mais linda desse mundo e não vão te corrigir nunca. Isso não é próprio dos parisienses mas dos franceses em geral.

Você lembra de mais algum clichê citado na série? Deixe nos comentários.

Não conhece a série? Confira o trailer oficial:


Confira passeios e atrações imperdíveis em Paris:


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