Trabalhar na França: como funciona?

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Foto: lexplicite.fr

Trabalhar na França é uma ótima experiência, mesmo que este não seja o seu primeiro trabalho. Para quem acabou de se formar, trabalhar na França pode ser uma primeira experiência bem interessante.

Para os turistas, não é necessário a emissão de visto para uma permanência de até 3 meses. Porém, para trabalhar é primordial ter um visto/ titre de séjour que autorize o titular a trabalhar. Estudantes tem a permissão de trabalhar até 20h/semana, contabilizando no total 960h anuais. Para trabalhar em tempo integral, é preciso ter uma autorização de trabalho.

O que é preciso para trabalhar na França legalmente

Apenas alguns tipos de visto/titre de séjour autorizam o titular a exercer um trabalho na França. É essencial apresentá-lo durante a assinatura do contrato. Entre eles:

  • Visto de longa duração valendo como um titre de séjour ou carte de séjour temporaire étudiant (estudantes)
  • Visto de longa duração valendo como um titre de séjour ou carte de séjour temporaire vie privée et familiale (família - casamento, reagrupamento familiar)
  • Carte de séjour passeport talent (trabalhadores altamente qualificados, empresários)
  • Carte de residente (concedida após um certo tempo de permanência legal no território francês)
  • Carte de residente de longa duração - UE (pessoas que possuam nacionalidade de outro país da união européia)
  • Visto de longa duração valendo como um titre de séjour e carte de séjour salarié (trabalho de longa duração ou sem duração determinada - contrato tipo CDI)
  • Visto de longa duração valendo como um titre de séjour e carte de séjour travailleur temporaire (trabalho de curta duração - trabalhador em missão por um certo período de tempo)
  • Carta de séjour travailleur saisonnier (trabalho temporário, ligado à temporada).

Leia também: Vistos de longa duração na França

Salário mínimo na França

O salário mínimo na França (SMIC) é de 1.480,27€* mensais ou 9,76€/h*, o que equivale à um salário bruto anual de 17.763 €. Desse salário, deve-se calcular em torno de 22% de encargos sociais.

O mais comum na França, é exprimir o salário baseado no total bruto anual. Em anúncios e entrevistas de emprego, é esse o valor usado como base para negociação. É sempre bom calcular o quanto você realmente irá receber por mês. Para isso, faça o cálculo salário líquido, de forma simples e rápida a partir do valor do salário bruto.

O salário pode ser calculado de diversas formas. O total pode ser baseado em 12, 13 ou mais meses, dependendo do contrato. Quando o salário não é calculado em 12 meses, o trabalhador geralmente recebe uma parte em julho e a outra em dezembro. São as chamadas primes.

Vale lembrar que o imposto de renda não é retido na fonte ao trabalhar na França. Ou seja, do valor líquido do salário, ainda é preciso descontar o imposto de renda. A declaração de imposto deve ser feita todo ano, no mês de maio.

*Dados de 2017 (baseado em uma jornada de 35h/semanais)

Confira: Como fazer o seu CV em francês

Os benefícios do trabalhador

Ao trabalhar na França, os benefícios do trabalhador variam de acordo com a empresa. Algumas são mais generosas, concedendo descontos atrativos aos colaboradores, reembolsando 100% do cartão de transporte entre outros benefícios.

Alimentação

O mínimo que as empresas devem fornecer aos colaboradores relacionado à alimentação, é propor um restaurante com tarifas subvencionadas ou tickets restaurante. Nos restaurantes das empresas (ou cantine como eles chamam), eles normalmente propõem 3 ou 4 menus diferentes, entradas, sobremesas e bebidas e você pode escolher o que achar mais conviniente. Dependendo dos restaurantes, é mais saudável e conviniente ter um restaurante à disposição do que usar os tickets restaurante.

O ticket restaurante pode ter um valor diário que varia entre 8 e 10 euros. Esse valor é pago entre 50 à 60% pelo empregador e o resto pelo empregado, descontado diretamente do salário. É possível usar o ticket restaurante para comprar alimentos no supermercado.

Transporte

Em relação ao transporte casa-trabalho, as empresas devem arcar no mínimo com 50% do valor pago em transporte público. O trabalhador deve comprovar que utilisa o serviço fornecendo um comprovante semanal, mensal ou anual com as datas e o valor pago.

O reembolso no caso da utlização do próprio veículo (frais kilomètriques) depende da empresa e deve estar estabelecido no contrato de trabalho.

Bônus e participação nos lucros

Para motivar os colaboradores, grande parte das empresas oferecem bônus que podem ser ou não ligados com o desempenho durante o ano. Certas empresas definem objetivos anuais aos empregados, e baseado na porcentagem na qual esses objetivos forem alcançados durante o ano, é calculado o bônus.

Empresas maiores propõem também uma participação aos lucros que são distribuídos em partes iguais a todos os trabalhadores. O valor dessa participação varia de ano para ano e é calculada com base no tempo de trabalho efetuado durante o ano. Ela não está inclusa no salário bruto anual, mas conta como um ganho e é imposável.

Outros benefícios

Dependendo do tamanho da empresa, os benefícios fornecidos pelo comité d'entreprise (CE) podem ser mais ou menos interessantes. Eles propõem descontos em atividades variadas, baseadas em parcerias com empresas de serviços.

Você pode por exemplo beneficiar de um desconto em uma determinada academia, comprar tickets para parques de atrações ou cinema por um preço mais interessante. Existem também os chèques vacances nos quais você paga um valor reduzido (por exemplo 60 euros em um talão que equivale à 180 euros). Com esses cheques, é possível pagar restaurantes e hotéis.

O bem-estar do trabalhador é um tema cada vez mais visado. É comum as empresas oferecerem confraternizações antes ou depois das férias de verão e no final do ano. Além de promover outros eventos menores que privilegiam a interação fora do ambiente de trabalho.

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