A realidade de quem mora longe de casa

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Foto: themighty.com

Fotos de viagem, passeios, festas e muita diversão - a vida dos sonhos. Provavelmente são essas as coisas que vêm à mente de quem vê a vida que você leva no exterior. E quando você reclama que quase derreteu no trem porque ele não tem ar condicionado? Você vai ouvir deboches de "como é difícil sofrer em Paris".

Ou então quando você reclama do metrô lotado, do alto valor dos impostos, de como a burocracia é complicada, sempre vai ter alguém para dizer "e porque não volta para o Brasil então?"

Se expressar livremente

Só porque você está morando longe de casa, você não tem o direito de reclamar. Afinal, quantos não gostariam de estar sofrendo em Paris? Você sofre mas vive viajando para lugares incríveis, fazendo amigos e se divertindo - só pode estar reclamando de barriga cheia.

Mal sabem eles dos perrengues diários que você passa. De todo o tempo e esforço que você dedica para chegar onde chegou. Nada veio fácil e você sabe bem disso.

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Só porque moramos no exterior, não quer dizer que os acontecimentos cotidianos deixam de ser menos relevantes e estressantes porque estamos "sofrendo em Paris". Ou os sentimentos e a saudade mudam de forma e tamanho só porque vemos a Torre Eiffel todos os dias a caminho do trabalho.

Sim, é bonito e especial morar longe de casa e é uma oportunidade que nem todos tem a chance de conseguir. Mas não é nada fácil e o nosso esforço diário não deve ser desmerecido.

Aprender a fazer escolhas

Ao decidir morar longe de casa, você passa a aceitar que não estará mais sempre presente em todos os momentos. Você não vai aparecer naquele álbum da festa de 15 anos da sua irmã porque você não pode vir. Você não pode acompanhar a gravidez e o nascimento do seu sobrinho porque estava longe e nunca vai saber como é o sentimento de segurá-lo no seu primeiro dia de vida.

Mesmo que você tente de tudo para amenizar a distância, como as intermináveis conversas com vídeo pelo skype (que você nem imagina como seria a sua vida se essa tecnologia não existisse), fotos, todos os presentes que você leva quando pode finalmente visitar a sua família depois de tanto tempo longe, nada se compara aos momentos que você perdeu ao lado de quem você ama e que nunca mais vai poder recuperar.

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Aos poucos você percebe também que não é mais consultado para certas decisões familiares ou acaba não sabendo de certos acontecimentos só porque você está longe e eles não querem que você fique preocupado. Você percebe que as pessoas, o ambiente e tudo mais ao redor mudam, mas na sua mente você ainda está vivendo aquele momento que estava acontecendo antes de partir para o exterior.

Com o passar dos anos, você aprende a lidar com a distância e a saudade de uma forma que a dor se torna mais "confortável". Você se conforma com aquilo que pode ou não fazer, se contentando em estar presente em alguns eventos.

Você aprende que o tempo é precioso e aprende a aproveitá-lo inteligentemente, pois cada minuto conta. Cada momento é um momento que pode nunca mais acontecer novamente. E a vida, ah, ela é tão curta...

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